Alice Lumi Satomi

Nascida em São Paulo migrou para João Pessoa, em 1985, casada com o flautista Fernando Farias. Mãe do violoncelista Kayami e da estudante de música Mayara Yuri. É professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), atuando no Departamento de Educação Musical, ex-depto. de Artes, e na coordenação do Núcleo de Pesquisa e documentação em cultura Popular (NUPPO). Paralelamente, exerce a função de vice-presidente da Associação Brasileira de Etnomusicologia (ABET).

Formação Musical

Doutorado na área de Etnomusicologia, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde defendeu a tese “Dragão confabulando: etnicidade, ideologia e herança cultural através da música para koto no Brasil”, em 2004[1], sob a orientação do professor Luiz César Magalhães.

Mestrado na área e universidade anteriores, com a dissertação “‘As Gotas de Chuva do Telhado...’ Música de Ryûkyû em São Paulo”, defendida em 1998, orientada pelos professores Manuel Veiga e Kilza Setti.

Bacharelado na área de Composição, pela Unicamp, entre 1979-84, na classe do prof. Almeida Prado, sendo monitora de teclado (prof. Fernando Lopes), em 1980-82, e bolsista trabalho-arte[2] com o projeto CIMLA – Centro de Informações de Música Latinoamericana, sob orientação do prof. Raul do Valle, em 1982-83.

De formação pianística (1960-82), obteve aprendizagem em flauta-doce (1972-74), percussão (1974-76), flauta transversal (1977), violoncelo (1979-83), instrumentos tradicionais andinos (1973-78) e japoneses (flauta yokobue, em 1978, e cítara koto, em 1985, 2001-04)[3].

Atividades Pedagógicas

Como professora da UFPB, contratada desde 1992, ministrou: Tópicos Especiais em Etnomusicologia, no mestrado em Música; Estética, no II Curso de Especialização do Depto. de Artes e no bacharelado do Depto. de Música. No curso de Educação Artística, ministra(ou) as disciplinas Prática Instrumental (piano), Folclore Brasileiro e Nordestino, Análise e Técnicas de Composição Musical, Introdução à Música do Século XX, Tecnologia Instrumental, Música de Câmera e Corpo-ritmo-som. Em atividades de extensão ministrou Oficina de Musicalização para adolescentes, no bairro do Geisel, em 1997; Curso Básico de T’ai-chi Chuan (1993-94) e coordenou o Projeto Maraká – Oficina de Tecnologia Instrumental, em 1994.

Foi professora de musicalização infantil em João Pessoa (1991-92), São Paulo (1989-90) e Campinas (1979). Junto ao cônjuge produziu a série didática “Música dos Povos”, programa dominical transmitido pela Rádio Universitária FM da Paraíba, em João Pessoa, entre 1986-88.

Atividades Artísticas

Em sua discografia constam algumas de suas composições: “Rapsódia da Caboclonagem” no CD Retratos da Música Brasileira, da Camerata Brasílica (2003). “Tríptico”, no CD Mário de Andrade por músicos da Paraíba, da UFPB (1993) e “Kátems”, no LP Canto Cereal, do grupo Etnia (1992).

No âmbito da música tradicional japonesa, tem promovido –  e executado koto em –  concertos em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e João Pessoa, entre 2004-05. Em João Pessoa, formou o Grupo Etnia, de divulgação de ritmos e instrumentos étnicos, entre 1986-94. Em Tóquio, participou em duas mostras de música latinoamericana, com o grupo Los Kollas e com Kazuaki Yamaguchi, em 1978.

Em São Paulo, integrou o Grupo Tarancón, participando em mais de duzentas apresentações, entre 1973-77, quando vivenciou a cultura musical andina empreendendo viagens à Bolivia, Chile, Argentina e Peru. Participou da gravação dos dois primeiros LPs do grupo: Gracias a la Vida (1976)[4] e Lo Único que Tengo (1977), ambos produzidos pela Gravadora Crazy, de São Paulo.

Como pianista tem atuado, principalmente, em música de câmera e, outrora, em atividades solísticas, por volta de 1974, quando obteve o primeiro prêmio do VI Concurso Clarisse Leite, em São Paulo[5].



[1] Como bolsista CAPES/PICDT tanto no doutorado como mestrado também.

[2] Sob os auspícios dos convênios MEC/FUNARTE/SAE/SEAC.

[3] Com as profas. Satiko Fukuda, Junko Yamakawa, Tomoi Inoki, Yuko Ogura, Sumie Saito e os profs. Javier Calviño, Zygmunt Kubala e, Koinuma Hiroyuki,. Ou por curiosidade pessoal, no caso de flauta-doce e instrumentos andinos.

[4] Em 1992 foi relançado em CD pela Movieplay, na série Memória Brasileira.

[5] Na área de performance atuou, entre outras formações, com o Grupo Laboratório de Expressão Corporal da Unicamp, de música contemporânea (1982), e com o grupo Anima, de música antiga, em João Pessoa (1985).